Gentilismo em debate no Arquivo Ultramarino

3 de Abril
17h30 horas
Sala do Brasil do Arquivo Histórico Ultramarino, em Lisboa

Conferencista: Célia Cristina da Silva Tavares (Universidade do Estado do Rio de Janeiro)
Comentador: Carlos Almeida (IICT-AHU)
Informações: ahu@iict.pt | tel: 213616330

O contacto com a documentação produzida pela Inquisição e pela Companhia de Jesus permite identificar muitas referências interessantes sobre as práticas religiosas que misturavam elementos culturais de sociedades não europeias, que haviam sido convertidas, com as práticas do catolicismo difundidas pela presença portuguesa. Tanto indígenas, no litoral do Brasil, quanto populações indianas na cidade de Goa e arredores, por exemplo, depois de baptizados e, em geral, levemente doutrinados, na maior parte das vezes por padres jesuítas, tendiam a praticar a nova religião dentro dos parâmetros daquelas crenças em que haviam nascido, mas misturada com a ritualística católica. Diante desta realidade, inquisidores e jesuítas produziram inúmeros textos onde registaram muitas vezes a sua perplexidade e, outras vezes, tentaram interpretações para estabelecer uma aproximação e obter alguma explicação sobre essas atitudes. Em geral, chamavam estas práticas de “gentilismo”, expressão derivada da palavra “gentio”. A presente conferência pretende explorar alguns aspectos da consolidação do termo, tanto para jesuítas quanto para inquisidores.

Célia Cristina da Silva Tavares é doutorada em História na Universidade Federal Fluminense. Possui ainda um pós-doutoramento pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (2010). É professora associada do Departamento de Ciências Humanas da FFP-UERJ, em São Gonçalo, e pesquisadora do Núcleo de Estudos Inquisitoriais (NEI). As áreas científicas em que tem desenvolvido os seus projectos são: História Moderna, História do Brasil colonial, a Companhia de Jesus no Brasil e no Oriente, a Inquisição de Goa e da cristianização. Foi coordenadora executiva da Companhia das Índias da Universidade Federal Fluminense, de 2009 a 2011. Publicou Jesuítas e Inquisidores em Goa (Roma, 2004) e o Guia de fontes e bibliografia sobre a Inquisição (Eduerj, 2005), entre outra obras, artigos e entradas de dicionários. Actualmente desenvolve, com bolseiros de iniciação científica, um banco de dados com informações de documentos sobre a Inquisição de Goa na Biblioteca Nacional do Brasil. Possui ainda vários artigos em anais de congressos nacionais e internacionais.

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