Galeria Zé dos Bois dança Actos de Amor Perdidos da uruguaia Tamara Cubas

Actos de Amor Perdidos, peça de dança contemporânea a ser apresentada na Galeria Zé dos Bois nos dias 22 e 23 de março (sexta-feira e sábado) pelas 21h30, propõe um exercício da memória a partir da recompilação de documentos, mitos, recordações e relatos que compõem a história recente do Uruguai. A reapropriação como ferramenta, não para reconstruir os acontecimentos mas para construir narrativas partindo do passado à luz do presente, sem fazer da memória um monumento.

Tamara Cubas tem desenvolvido um projecto de investigação artística que denomina La Patria Personal, onde se foca na temática do álbum familiar através da recompilação e do arquivo de documentos e factos relacionados com a sua família – recordações, representações e ilustrações de acontecimentos e histórias compreendidos entre o período de 1973 e 1985.

A sua família paterna foi vítima de exílio, prisão e desaparecimento forçado durante a ditadura uruguaia, mas apesar de se tratar de uma história dramática, o projecto pretende afastar-se de um discurso de perda e tenta construir narrativas partindo do passado à luz do presente, dos nossos interesses actuais e da nossa necessidade discursiva. Pretende trabalhar com esse passado escapando da monumentalização da memória, porque essa é uma forma de tornar a memória estéril, adormecida; considerando que o excesso de memória congela o passado e impede de detectar novos agentes susceptíveis de provocar situações similares às que se narram.

“Actos de Amor Perdidos é uma obra performativa que se desprende desse arquivo que construiu, mas não da sua essência e leitura, criando, inclusivamente, outras formulações não cénicas, noutros formatos. Nesta peça optei por incluir em conjunto alguns símbolos nacionais, datas e factos por todos reconhecíveis, conjugados com alguns dados recolhidos junto da minha família. O individual e o colectivo, o público e o privado, a pátria ou a morte são alguns opostos que se tentam posicionar em tensão. Esta obra não pretende contar nem falar de algo mas dialogar com, colocar alguns aspectos em relação” – Tamara Cubas

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