Empresas portuguesas com dificuldade em entrar no mercado ferroviário do Brasil

[Notícia do Público] Com o investimento congelado em Portugal, o mercado brasileiro é tentador, mas os obstáculos são difíceis de ultrapassar

A indústria ferroviária no Brasil está a crescer, enquanto que em Portugal o investimento é nulo. Às empresas portuguesas sobra-lhes capacidade técnica, know-how, experiência e recursos humanos que estão agora desaproveitados. A internacionalização para o país que fala a mesma língua e onde se assiste a um surto de investimentos em metros, linhas suburbanas e até numa linha de alta velocidade de 500 quilómetros, parece a saída lógica. Ao ponto de algumas empresas estarem dispostas a trabalhar a custo zero.

Mas a descapitalização das empresas nacionais e o proteccionismo do mercado brasileiro têm sido obstáculos a uma maior cooperação entre os dois países no sector ferroviário.

Ainda assim, há tentativas. Na construção e manutenção de linhas férreas, a Somafel é das poucas que está a fazer obra, em trabalhos de catenária nos suburbanos do Rio de Janeiro e na soldadura de carris em São Paulo. Esta empresa, do grupo Teixeira Duarte, criou em 2010 uma sociedade de direito brasileiro para operar naquele mercado e deslocalizou um ano depois para o Brasil equipamento pesado de manutenção de via férrea – inútil em Portugal.

A Mota-Engil também já está no terreno, através da sua empresa Ferrovias, participando, como subempreiteira, na colocação de catenária no metro ligeiro de Cuibá. Projectistas como a Guide e a Coba (esta última agora detida por um consórcio angolano) estão também na corrida ao mercado brasileiro.

Uma fonte ligada ao sector diz que “é preciso investir muito dinheiro no Brasil antes de começar a trabalhar e a facturar”. Opinião partilhada por mais empresários e quadros que se queixam da desconfiança dos brasileiros em relação às empresas estrangeiras. A isso juntam-se os obstáculos ao reconhecimento do currículo dos engenheiros portugueses.

Portugal está em contraciclo. Basta tomar como exemplo o investimento da Refer: em 2003, atingia um pico de 646 milhões de euros, em 2012, foi de 79 milhões e este ano deverá ser ainda menos. As empresas dos grupos Refer e CP e inúmeras empresas privadas ligadas ao sector viram-se, em poucos anos, confrontadas com um dramático problema de sobrecapacidade.

Vários players contactados pelo PÚBLICO dizem que as empresas portuguesas só podem aspirar a subcontratos, a nichos de mercado e que nos concursos convém ter sempre um sócio brasileiro, mesmo quando o caderno de encargos o não exija.

A Ferconsult, que pertence ao Metro de Lisboa, está em vias de assinar um protocolo com o Metro de São Paulo e tem vindo a concorrer, em parceria com empresas de consultoria portuguesas, a concursos daquela entidade. A Refer Telecom tem vindo a fazer um paciente trabalho de sedução, com alguns resultados, junto da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos e da Associação Nacional dos Transportes Terrestres brasileira com a qual espera assinar um protocolo de cooperação.

Rui Loureiro, presidente da Refer, diz que o grau de internacionalização é ainda “incipiente” e entende que o seu sucesso passa por um acordo ao nível institucional entre os dois países. “Os brasileiros, em tudo o que é projectos, querem que sejam os seus engenheiros a fazer os trabalhos”, diz. E, no entanto, quando recentemente participou numa reunião, em Paris, na União Internacional dos Caminhos-de-Ferros (UIC), deu-se conta que nela esteve presente a presidente Dilma Roussef a apresentar os projectos ferroviários brasileiros, para os quais apelou ao investimento estrangeiro.

Esta entrada foi publicada em Artes. ligação permanente.

Uma resposta a Empresas portuguesas com dificuldade em entrar no mercado ferroviário do Brasil

  1. Pingback: Empresas portuguesas com dificuldade em entrar no mercado … | Info Brasil

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s