Testemunho de um empresário português na Colômbia

[Texto de José Miguel Vieira Neves, Presidente da Saraiva e Associados] Tive a sorte de conhecer a Casa da América Latina e algumas pessoas que tão dedicadamente a dirigem, durante o período em que analisava a Colômbia como país de destino para início de uma nova etapa da minha vida. A crise nacional e europeia justificou a minha decisão de mudança e a de muitos portugueses que atualmente se distribuem pelos quatro cantos do mundo. Uma situação que jamais havia pensado ser possível acontecer-me.

É uma nova época de diáspora, caraterizada mais uma vez pela enorme capacidade que os portugueses têm em se integrar em novas culturas e deixar a sua marca, pela forma como se relacionam e são capazes de constituir uma mais-valia na vida das diversas comunidades que os recebem. Fazemo-lo com humildade e sem arrogância pois não nos julgamos superiores por sermos oriundos da velha e cansada Europa, que apesar de tão conceituada nestas paragens sul-americanas, tarda em reagir e dar a volta a esta crise medonha que teima em martirizar-nos.

A vida prega-nos destas partidas, e se bem que as circunstâncias nos obriguem a partir, há que olhar para o lado positivo das situações e saber aproveitar tudo o que de bom a vida ainda nos reserva.

Há um ano que habito e trabalho como empresário na Colômbia. Há um ano que comecei a conhecer os colombianos e a vivenciar a América Latina. A sociedade colombiana acolheu-me e à minha família de uma forma extraordinária, tanto pessoal como profissionalmente.

Contrariamente ao que se pensa em Portugal, Bogotá, cidade onde estamos a residir, é uma cidade que nos permite ter acesso a uma vida com uma qualidade, muito equivalente e até superior a qualquer cidade de Portugal. A facilidade de poder viajar na Colômbia, e neste continente, permite-nos descobrir paisagens e locais de uma beleza surpreendente que, em condições normais, nunca seriam uma opção para os portugueses que ainda viajam.

Em termos profissionais há muito, se não tudo, por fazer. As expetativas de se negociar o acordo de paz, que está actualmente na mesa das negociações com as FARC, oferecerão a este país condições de crescimento muito para além do que está previsto. E o previsto é a economia colombiana crescer entre 4% a 5% do PIB em 2013. Ou seja, as oportunidades existentes já são muito superiores às apresentadas em Portugal ou na Europa. A formação académica média dos colombianos é muito elevada, as empresas são muito influenciadas pela experiência americana, mas encontram-se numa fase de desenvolvimento que nos permite constituir-nos como parceiros privilegiados. A nossa experiência em vários sectores, da fileira da construção, ao sector energético e ambiente, testada em Portugal no passado recente, torna as nossas empresas altamente competitivas. A recetividade às empresas portuguesas, também pelo aspecto relacional, para potenciais parceiros, é uma realidade que devemos ter em muita consideração.

Em termos de educação e de saúde, as condições de vida em nada ficam a dever às existentes em Portugal, pelo contrário. As instituições educativas, de uma forma geral de nível elevado, representam uma excelente experiência, também uma mais-valia na vida dos nossos filhos.

É evidente que nem tudo são facilidades e que nos espera muito trabalho, dedicação e capacidade para nos integrarmos social e profissionalmente. Como em tudo, há que ter sorte, mas temos que lutar para que ela nos bata à porta. Ser empresário é isso mesmo. Correr riscos e trabalhar muito.

Espero que este meu testemunho seja uma forma de incentivo a todos os que equacionam a possibilidade de iniciarem a sua vida neste fantástico País e neste maravilhoso continente.

O Natal é uma época de troca de presentes e por isso também de agradecimento a Nosso Senhor ou a quem cada um se sinta mais reconhecido. Não só pelas decisões acertadas que tomamos ao longo das nossas vidas, mas também por tudo o que de bom vamos vivendo em cada dia que passa. Aos empresários em particular, não baixem os braços, aventurem-se, sempre com planeamento, mas arrisquem. Nós, os que viemos primeiro, cá estaremos para vos apoiar. Não estão sozinhos!

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