Conferência sobre culturas indígenas realça progresso na sua difusão

A conferência sobre as Culturas Indígenas no Século XXI,  no último dia 19 de Novembro, organizada pela Casa da América Latina e que decorreu ontem no Museu da Eletricidade, foi  um momento de reflexão acerca das realidades indígenas na América Latina e no contexto mais global das sociedades contemporâneas.

Juan Daniel Oliva Martínez (Universidade Carlos III de Madrid), referindo os direitos humanos e a diversidade cultural,  assinalou que os indígenas procuram acima de tudo reconhecimento jurídico, direitos territoriais, protecção de património cultural material e imaterial, e auto-governo dos seus recursos naturais. A forma pacífica como o fazem, salientou, terá sido uma das causas principais para que a ONU reconhecesse os seus direitos recentemente, em 2007. Para além disso, os indígenas advogam um “outro modelo de desenvolvimento, que não esteja ligado ao individualismo e ao consumismo”.

De acordo com Martínez, os progressos significativos em matéria de direitos humanos nas últimas décadas têm incluído os povos indígenas. Nas palavras de Beatriz Padilla (CIES-IUL), alguns países latino-americanos dão uma lição de interculturalidade à Europa, que “tem muito que aprender” a esse nível. Ainda assim, referiu, as políticas inclusivas de alguns governos contrastam com algum preconceito das populações, como os próprios vizinhos que usam o termo “índios” para designar “os outros”.

O mentor do projeto ‘Vídeo nas Aldeias’, Vincent Carelli, falou da importância do progresso tecnológico para a implementação da sua ideia de que os meios audiovisuais pudessem ajudar na comunicação sobre e entre os indígenas que estão espalhados pelo continente, sublinhando a compatibilidade entre tradição e tecnologia. Atualmente em 30 comunidades, o projeto tem evoluído com a revolução digital, que permite agora que todo o trabalho de edição possa ser feito ‘in loco’ nas aldeias, mas esse progresso tecnológico também implica a compra recorrente de equipamentos. É esta a “armadilha do consumo”, ironizou Carelli. Referiu ainda a ajuda do audiovisual na introdução das questões indígenas no ensino básico e médio, uma poderosa ferramenta para sensibilizar novas gerações. Filipe Reis (CRIA-IUL), no seu comentário, salientou a relação entre a apropriação de tecnologias e a produção de “coisas novas”, processo que está a acontecer nas aldeias onde Vincent actua, com novos realizadores indígenas a conquistar reconhecimento para além dos circuitos étnicos.

A conferência  terminou com uma apresentação da revista ‘Culturas Indígenas’, uma edição especial do Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Diogo Almeida, representante da Embaixada do Brasil em Portugal, considera que a revista contribui para impedir que as “concepções estereotipadas do que são as culturas indígenas” imperem na sociedade brasileira e nas restantes sociedades interessadas na realidade destes povos.

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