Brasil trava exportações portuguesas com burocracia

2012-11-10 11:14
Miguel Pacheco, Diário Notícias

Máquinas de café da Delta ficaram de junho a outubro dentro de contentores. Super Bock procura parceiro para conseguir exportar.

“É o caos total O comércio exterior está refém da paralisação das alfânde­gas e das fronteiras. Quem consegue ser competitivo nesse ambiente?”, perguntava há um mês a revista bra­sileira Isto é Dinheiro. Em setembro, só a greve dos inspetores sanitários custou 10 milhões de euros por dia às importações brasileiras. 150 navios fi­caram parados ao largo, milhares de contentores retidos na fronteira. En­tre importações falhadas ou atrasadas, fiscalização excessiva e greves suces­sivas, os números foram ficando mais negros. Em maio, o Brasil conseguia uma média diária de 355 milhões de euros em importações. Em agosto, já com greves e inspeções a pesar, o nú­mero caía para 319 milhões/dia.

O problema não é novo, mas está a condicionar a estratégia portuguesa no Brasil. Em maio, a Delta Cafés foi apanhada na operação Maré Vermelha, fiscalização exaustiva aos produtos importados. As máquinas e cápsulas Delta Q ficaram presas no porto de Vi­tória durante três meses, o suficiente para fazer derrapar o plano de investi­mento e para adiar para outubro a entrada em força no retalho brasileiro.

A Delta, que já tinha uma loja pró­pria no Brasil, está a apostar no apete­cível mercado brasileiro, onde 97% da população consomem café e 99% pre­ferem beber em casa. Uma oportuni­dade de ouro para as máquinas de cáp­sulas Delta Q, sobretudo porque só 5% dos consumidores têm máquina em casa. Atenta, a marca de Rui Na-beiro criou uma empresa em São Pau­lo, a Delta Foods Brasil, e comprou ou­tra, a Q-Brasil, que era a proprietária da única loja Delta Qno Brasil. Para já, a estratégia não passa por novas lojas, mas pela entrada em força nos super­mercados e grandes superfícies. Claro que para isso precisam de vender má­quinas, que só chegaram agora ao mercado brasileiro.

Questionada sobre este problema, a Delta Cafés admite, através de fonte oficial, que “os produtos estiveram três meses parados devido ao atraso na chegada da documentação de cer­tificações, necessárias à importação de eletrodomésticos”. A empresa cita ainda a ocorrência de “várias greves nos portos”, dizendo desconhecer a operação Maré Vermelha.

Super Bock? Falta parceiro

Antes dos cafés, também a Unicer so­freu para entrar no Brasil. “Estive­mos praticamente cinco anos sem conseguir exportar a Águas das Pedras para lá”, garante António Pires de Lima, “e nunca consegui perceber bem o problema”. O impacto foi gran­de. “Até 2004 conseguimos vender um milhão de litros. Só agora é que es­tamos a conseguir recuperar.” Outra marca do grupo – a Super Bock – tam­bém tem problemas para entrar. “As poucas disponíveis chegam a preços demasiados altos e servem apenas pa­ra consumo dos portugueses no Bra­sil. Estamos a estudar vários cenários, como um parceiro local, para definir­mos a nossa estratégia para 2013”, ga­rante. “São excessivamente protecionistas. Só vinho e azeite escapam.”

Mas nem os preferidos dos brasilei­ros têm tido vida fácil. Até há duas se­manas, Brasília mantinha o plano de aumentar para 55% a taxa sobre o vi­nho importado – medida que mataria os 29 milhões em exportações nacio­nais e o Periquita, tinto favorito no Brasil. “Portugal correu dois riscos nesta negociação do vinho. O pri­meiro era a taxa alfandegária, o se­gundo era ser estabelecida uma quo­ta que limitasse o crescimento das exportações. Foi uma vitória”, ga­rante o ministro dos Negócios Es­trangeiros, Paulo Portas. No azeite, o problema era de certificação mas também foi ultrapassado. Até maio, as exportações portuguesas para o Brasil valem 1,27% do total As vendas para a Alemanha valiam quase dez ve­zes mais: 13,47% .

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