“Facturação vai duplicar com negócio no Chile”

[Notícia do Diário Económico] A dona da Guloso existe há mais de 50 anos e aposta agora no Chile para potenciar negócio.

Com a recente aquisição de uma fábrica no Chile, a Sugalidal espera duplicar a facturação – uma garantia dada pelo presidente da empresa que detém a marca Guloso. Em entrevista ao Etv, João Ortigão Costa acredita que, apesar da austeridade, o Governo está no bom caminho. Para a indústria do tomate não reclama incentivos financeiros, mas sim mudanças na legislação, as quais já foram propostas à ministra da Agricultura, Assunção Cristas, e que poderiam reforçar a exportação em 20%.

A campanha de tomate deste ano correu bem?
Sim. É seguramente um dos melhores anos tanto em qualidade como em quantidade.

Portugal é um dos grandes produtores mundiais de tomate, mas nem sempre reconhecido como tal. O que falta?
Ao longo dos anos temos conseguido impor a marca Portugal no mundo, a nível do concentrado de tomate. Mas, em termos globais e empresariais, falta reconhecimento nacional. Temos sempre grandes batalhas com as entidades públicas para nos mantermos competitivos.

Como assim?
Somos um grande consumidor de energia, porque o nosso principal trabalho é transformar o sumo de tomate fresco em concentrado. Fazemos isso através de vapor que consome muita energia. Na campanha, que dura dois meses, temos de ter uma capacidade instalada que não utilizamos no resto do ano, mas que pagamos o ano inteiro. Estamos a falar de largos milhões de euros [cerca de dez millhões] não pagos em outros países, que nos retiram competitividade e que podiam ser canalizados para investimento.

A ERSE assegurou que a situação já estava resolvida?
Penso que não, porque continuamos a pagar estas taxas.

Somos pouco competitivos?

A níveleuropeu, somos competitivos, mas o nosso mercado é global. Competimos com países

como China, EUA ou Turquia. Por exemplo, em termos energéticos, os EUA são muito mais competi­tivos e têm vindo a aumentar as exportações para a Europa. A China, em termos de segurança alimentar, apoio social, ambien­tal, não tem as nossas exigências.

Que aspectos na forma de fazer negócio nesses países poderiam ser replicados em Portugal?

Estamos há pouco tempo no Chi­le , mas já deu para perceber que o nível de apoio do Estado aos em­presários, para poderem expor­tar, é brutal. O país tem uma ver­dadeira diplomacia económica nessa matéria e é muito agressi­vo. O Estado também acarinha muito bem a iniciativa privada.

Que projecto têm para o Chile?

Está no hemisfério sul e é dos poucos que tem uma campanha de tomate na altura do nosso In­verno. Passamos a ser a única, e primeira empresa mundial, a ter duas campanhas de tomate por ano. Temos Julho, Agosto e Se­tembro aqui em Portugal. Se acontecer alguma coisa menos boa podemos recuperar no Chile que tem a campanha de Feve­reiro a Abril. Podemos servir

melhor os nossos clientes a nível mundial e reduzir o risco. Em termos climatéricos, o Chile tem as condições ideais para a produção de tomate. De resto, Portugal e Chile estão entre os países com melhor qualidade de concentrado de tomate. Vamos fazer isso e também de frutas tí­picas do hemisfério norte; maçã, pêra e pêssego.

O Chile é um grande salto para o negócio da Sugalidal?

Vai permitir quase a duplicação do negócio.

A crise está a afectar o negócio?

Não, porque os produtos deriva­dos do tomate continuam a ser muito baratos e a base da nossa alimentação. Se fazemos uma bolonhesa, possivelmente cor­tamos na carne, mas não no to­mate. Além disso, é muito apre­ciado entre os jovens.

Como avalia a actuação da mi­nistra da Agricultura?

Parece muito inteligente e com­petente. Desgraçadamente, tem um ministério grande de mais, o que não lhe permite ouvir todas as forças vivas da economia.

Quais as preocupações que gos­taria de lhe transmitir?

Já tive oportunidade de o fazer. Propusemos o desafio de au­mentar as exportações de con­centrado do tomate de Portugal na casa dos 20%. Seriam quase 50 milhões de euros a mais de exportação na campanha.

Como?

Não precisamos de incentivos monetários, só de melhor legis­lação, como na energia ou nos seguros agrícolas. Portugal tem condições climatéricas para au­mentar o tempo de campanha. Nesta indústria o equipamento é importado e, se tivermos um seguro compatível, podemos au­mentar a campanha com o mes­mo equipamento. Pedimos ainda o apoio do ministério para o des­envolvimento tecnológico agrí­cola. Queremos criar um centro científico do Estado, com os seus recursos humanos e físicos, em que a indústria comparticipa fi­nanceiramente. Acrescem as centenas de milhares de euros que gastamos anualmente em análises ao nosso produto que não temos capacidade tecnoló­gica para fazer em Portugal. Era interessante fazer em conjunto com o Estado.

PERFIL

Uma história nascida na lezíria

Na fábrica da Sugalidal a tradição ainda é o que era – talvez porque a matéria-prima é muito mais antiga do que o produto final. Mesmo assim, a dona da Guloso já pode contar a história das suas bodas de ouro dedicada a incontáveis quilos de tomate. Primeiro a Idal, que se estabeleceu em Vila Franca de Xira, em 1946. Depois a Sugal, que nasceu na Azambuja em 1957. A aliança veio mais tarde com a compra da Idal pela Sugal em 2007. Hoje a Sugalidal tem duas instalações fabris, na Azambuja e em Benavente. Em plena lezíria ribatejana, a actividade nunca pára, mas é na época da colheita do tomate, entre Julho e Setembro, que se torna mais intensa.

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