Nanium quer investir 24 milhões na construção de fábrica no Brasil

[Notícia do Diário Económico] Protocolo de intenções já foi assinado. A nova unidade deverá arrancar em Outubro.

A portuguesa Nanium, que surgiu da Qimonda, pretende avançar com a construção de uma fábrica de semicondutores no Brasil, um investimento de cerca de 24 milhões de euros. O protocolo de intenções já foi assinado pela Nanium Participações, empresa de direito brasileiro detida pela Nanium, pelo Governo de Minas Gerais, pelaa Universidade Federal de Juíz de Fora e pela Prefeitura de Juíz de Fora para a implantação de uma unidade industrial no Parque Científico e Tecnológico de Juiz de Fora.

A Nanium revela, ao Diário Económico, que assinou na passada semana os protocolos de intenção com as autoridades brasileiras, com “o objectivo de assegurar condições para a eventual instalação de uma unidade produtiva nesta cidade, em instalações a serem inicialmente providenciadas pela Universidade e pelo Campus”. A empresa garante que, “no entretanto, existem discussões em curso com potenciais parceiros/investidores, sendo que a decisão de avançar com essa unidade depende da eventual conclusão positiva dessas negociações”.

A empresa de Vila do Conde assume que o “potencial empreendimento no Brasil, a concretizar-se, poderá traduzir-se num crescimento da Nanium e constituir mais um passo na senda da consolidação e desenvolvimento da empresa, nomeadamente neste mercado emergente”. E assegura que “esta possível instalação no Brasil não terá qualquer impacto nas actuais operações de produção em Portugal”.

De acordo o presidente da Nanium, Armando Tavares, citado pelo ‘site’ da UFJF, a empresa nacional estima que esta unidade fabril venha a criar 150 postos de trabalho directos e outros 40 indirectos. O projecto da Nanium deverá arrancar em Outubro, prevendo-se que esteja concluído em meados de 2017. Numa primeira fase, esta unidade irá fabricar módulos de memória DRAM e módulos ‘flash’ (como ‘pen drives’), para numa segunda fase produzir cartões de memória para o mercado de ‘desktops’, ‘notebooks’ e ‘tablets’.

Já o reitor da universidade, Henrique Duque, realça que a ida da Nanium para a região representa uma nova perspectiva para a instituição e para a cidade. “Além de oferecer empregos com maior nível de especialização e melhores salários, o Parque também contribuirá para reter, na ci­dade, os cérebros formados na nossa instituição”, de acordo com o mesmo ‘site’.

Já o director executivo da Nanium Participações, José Miranda Chaves Netto, deu garantias de que “o empreendimento irá contribuir para a formação de gestores, engenheiros, técnicos e operadores de produção, em parceria com a UFJF, que serão treinados ao Brasil e em Portugal”.

No final do ano passado, a Nanium estabeleceu um acordo com a Rússia para o fornecimento de ‘know-how’ e venda de máquinas.

A empresa, que já chegou a ser i maior exportadora nacional, emprega actualmente 600 pessoas. A empresa tem como accionistas a AICEP, com 17,88% do capital, assim como o BES e o BCP, ambos com 41,08%.

De Qimonda a Nanium

A Nanium nasceu oficialmente a 25 de Novembro de 2009. A empresa, que até então se chamava Qimonda, renascia depois de um processo de falência que chegou a estar iminente. Originalmente fundada a 1 de Maio de 2006, por separação da área de negócio de produtos memória da alemã Infineon, a Qimonda um arranque de actividade fulgurante com o volume de negócios a ultrapassar mil milhões de euros, obtidos no competitivo mercado das exportações. Além de ser a maior exportadora nacional, a Qimonda era também uma das maiores importadoras. Associado a este facto, a Infineon, detentora da Qimonda, viu-se abraços com a agressiva concorrência chinesa (os produtos chineses chegavam ao mercado 15% mais baratos). Para fazer face a essa concorrência, a Infineon tentou responder com a descida de preços, mas a medida revelou-se desastrosa. Foi então que lançou uma unidade vocacionada para as células fotovoltaicas, uma opção que também não singraria. Por várias razões, a “casa mãe” entrou em processo de insolvência no início de 2009 e as operações fora das fronteiras germânicas entraram em ruptura. Portugal ainda se aguentou um tempo, mas rapidamente foi apanhado pela crise da empresa mãe e foram os credores – Estado e banca – a salvar a empresa.

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