Portugueses carregam carvão na Colômbia

[Notícia do Expresso] Grupo Goldman Sachs contrata operação de gruas portuárias à portuguesa ETE para carregar minério.

Quando a Empresa de Tráfego e Estiva (ETE) apostou forte em Moçambique para internacionalizar as suas atividades marítimo-portuárias, estava longe de admitir que os contactos feitos em Maputo iriam criar negócios na Colômbia e abrir perspetivas para outros países na América Latina.

Na realidade, o negócio desenvolvido pelas várias empresas do Grupo ETE em Moçambique (ver destaque em baixo) aproximou as empresas dos herdeiros do tenente-coronel António Figueiredo aos gigantes mundiais do sector mineiro. E também a um dos maiores conglomerados financeiros norte-americanos, o grupo Goldman Sachs.

O responsável pela área operacional e comercial do Grupo ETE, Luís Figueiredo, explicou ao Expresso que o seu novo negócio na Colômbia nasceu nos contactos com empresas da área portuária e de utilizadores de portos moçambicanos, no âmbito de projetos com o gigante brasileiro Vale (a antiga empresa mineira Vale do Rio Doce).

Goldman Sachs compra
“Fomos desenvolvendo trabalhos em conjunto e acabámos por firmar um contrato para operar uma grande grua numa zona portuária da Colômbia, numa operação que pertenceu à Vale e que recentemente foi vendida ao grupo Goldman Sachs”, refere Luís Figueiredo. O desempenho técnico da ETE a operar gruas de grande porte foi valorizado pelos brasileiros e apreciado pelos norte-americanos, explica.

Isso levará agora os portugueses a rumarem à baía colombiana de águas pouco profundas de Santa Marta. Aí vão fazer a trasfega de batelões de carvão para os navios fundeados ao largo, que depois vão transportar este minério para os principais mercados internacionais.

“O contrato inicial será por dois anos, mas acredito na potencialidade desta operação que, num horizonte de cinco
anos, pode gerar um volume de negócios de 50 milhões de dólares”, comenta Luís Figueiredo.

Tal como Moçambique, a Colômbia é um mercado com um grande potencial nos sectores de matérias-primas e minérios.
Foi por isso que, em 2008, a gigante brasileira Vale aceitou pagar 306 milhões de dólares pelas minas de carvão colombiano (o designado “carvão térmico”, destinado a centrais térmicas de produção elétrica) da província de César. Assim, as minas colombianas de El Hatillo e Cerro Largo passaram para as mãos dos brasileiros.

No entanto, como tem vindo a aumentar a apetência do grupo norte-americano Goldman Sachs pelas minas de carvão (esta área da Goldman cresceu 58% no último ano), há poucos meses a sua participada Colombian Natural Resources fez uma oferta de 407 milhões de dólares e a Vale acabou por vender estas minas.

Rio Córdoba contrata ETE
Este carvão “térmico” é transportado para a infraestrutura da Sociedad Portuária Rio Córdoba, que gere o respetivo carregamento no porto de Santa Marta. Por isso, a Rio Córdoba (agora participada da Goldman Sachs) acabou por contratar os serviços da ETE para operar a grua que faz a trasfega do carvão.

Com este tipo de diversificação e internacionalização, o Grupo ETE tem conseguido contrariar os efeitos da crise, que afetam sobretudo a sua área de transporte marítimo (em especial os serviços que servem as ilhas dos Açores e da Madeira).

Manter faturação
Em 2011, a faturação do Grupo ETE rondou os 200 milhões e o resultado antes de juros, impostos, amortizações e depreciações (o EBITDA) foi da ordem dos 20 milhões. A empresa recusa-se a revelar se tem lucros ou prejuízos.
No ano anterior, as contas do grupo já tinham apresentado números semelhantes e para o final de 2012 os seus responsáveis admitem que estes possam voltar a ser os indicadores do Grupo ETE.

As áreas com melhor comportamento entre as empresas do grupo têm sido a logística, onde estão presentes há cerca de dois anos. Esta área resulta da integração do segmento de operação logística e de transitários e o maior crescimento decorre do disparo das cargas internacionais.

De igual forma, as operações portuárias desenvolvidas pela ETE registaram crescimentos. “Com o aumento das exportações portuguesas e a entrada das empresas nacionais em novos mercados, é compreensível que estes segmentos de atividade registem aumentos”, comenta Luís Figueiredo.

ETE INTERNACIONALIZA
– Em Moçambique, tem quatro empresas: a ETE Logística; a S&C que é reativada para assegurar serviços de manutenção ao grupo; a TCMTerminal de Cabotagem do Maputo; e o armador de cabotagem Navique
– Em Cabo Verde, tem um agente de navegação
– No Uruguai, vai transportar madeira em barcaças para a fábrica de pasta de papel que a Stora Enso e a Arauco terão em funcionamento em 2014
– Na Colômbia vai carregar carvão em navios para a Sociedad Portuária Rio Córdoba

Presidente colombiano em Lisboa
Os principais empresários colombianos vão integrar a comitiva do Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, na visita oficial que fará a Portugal a 14 de novembro, revelou o embaixador da República da Colômbia em Portugal, Germán Santamaria. “Sob o ponto de vista político, esta visita retribui a deslocação do primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, à Colômbia e, do ponto de vista económico, será uma oportunidade para um grupo de empresários colombianos conhecerem mais em detalhe o mercado português e as suas potencialidades na União Europeia”, refere o embaixador. Sem identificar projetos específicos, adianta que “há manifestações de interesse de grupos económicos colombianos em Portugal, atendendo às perspetivas que vai passar a abrir o Tratado de Comércio Livre que a Colômbia quer firmar com a União Europeia em outubro”. “As trocas comerciais entre os dois países vão aumentar exponencialmente e muitos produtos portugueses poderão entrar na Colômbia com uma fiscalidade muito mais favorável”, diz Germán Santamaria. Relativamente aos dossiês de investimento que já são do conhecimento público, o embaixador colombiano reiterou o interesse pela TAP manifestado pela transportadora aérea privada colombiana, Avianca. “O seu presidente, Germán Efromovich, disse que tem vontade política e económica de participar na privatização da TAP, e já escolheu a equipa jurídica e os assessores financeiros para a operação”, referiu. O embaixador colombiano ainda revelou que o seu país vai promover, durante os próximos cinco anos, grandes investimentos em infraestruturas ferroviárias, aeroportos, portos e, sobretudo, na navegabilidade do rio Magdalena, que atravessa a Colômbia de sul a norte.

Embaixador da Colômbia, Germán Santamaria (à esquerda), com o administrador da ETE, Luís Figueiredo (à direita), durante a visita à grua que será transportada do porto de Lisboa para o porto colombiano de Santa Marta.

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