Economia brasileira cresce 0,4% no 2º tri

[Notícia iG Rio de Janeiro] Soma das riquezas produzidas no País atingiu R$1,1 trilhão no período entre abril e junho; resultado reforça projeções de que o PIB não deverá crescer mais do que 1,8% em 2012.

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro registrou um crescimento de 0,4% no segundo trimestre do ano em relação aos primeiros três meses de 2012, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De abril a julho, a soma das riquezas produzidas no País chegou a R$ 1.101,6 bilhões. Na comparação com o segundo semestre de 2011, o PIB cresceu 0,5% e, dentre as atividades econômicas, destacou-se a agropecuária (1,7%).

Na comparação com o primeiro trimestre de 2012, o destaque positivo foi o setor agropecuário, que teve crescimento de 4,9%. No segmento de serviços houve aumento de 0,7%, enquanto a indústria registrou queda de 2,5%.

A taxa de investimento no segundo trimestre de 2012 foi de 17,9% do PIB, inferior à taxa referente a igual período do ano anterior (18,8%). Essa redução, segundo o IBGE, foi influenciada, principalmente, pela queda, em volume, da formação bruta de capital fixo no trimestre. A taxa de poupança ficou em 16,9% no segundo trimestre de 2012, ante 19% no mesmo trimestre de 2011.

No acumulado em 12 meses terminados em junho de 2012, a expansão foi de 1,2% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores. No primeiro semestre o PIB apresentou aumento de 0,6%, segundo o IBGE.

O PIB do segundo trimestre não surpreendeu o mercado, que já vem demonstrando seu pessimismo em relação ao crescimento da economia brasileira. O último boletim Focus, por exemplo, apontou para um PIB de 1,75% em 2012, projeção compartilhada pelo economista e professor da escola de negócios Trevisan, Claudio Gonçalves.

“Estou muito pessimista. Até agora, o governo tomou apenas medidas aleatórias e tardias. E o que foi anunciado pela presidenta Dilma só deve surtir efeito em 2015”, afirma Gonçalves, fazendo uma referência ao plano de concessão de rodovias e ferrovias.

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Para ele, a desaceleração da economia brasileira pode se intensificar nos próximos anos. “Se a China se desaquecer, ficará muito pior. O governo tem que fazer reformas amplas para que a economia volte a ser competitiva.” Gonçalves lembra ainda que, ao criar o termo BRICs, o banco Goldman Sachs projetava um crescimento médio de 5% para o Brasil entre 2010 e 2020, de forma que o país se transformasse em uma potência em 2050. “Esse crescimento mirrado acabará nos levando a sair do grupo.”

Já o presidente da Canepa Asset Management, Alexandre Póvoa, acredita que o governo fez o que era possível no curto prazo: baixar juros e dar incentivos. Para o executivo, o anúncio recente de que o governo deverá estimular os investimentos em infraestrutura “dá esperanças ao mercado”. Mas, ainda assim, ele também acredita que os resultados dessa política só deverão começar a aparecer no médio e longo prazo.

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Na opinião de Póvoa, chegou a “hora da verdade”, de fazer mudanças estruturais. “A arrecadação caiu muito e o consumo já não vai se expandir no mesmo ritmo que observamos no passado. E tenho a impressão de que o nível de emprego também está próximo do teto, se é que não atingiu esse patamar.”

Para Reginaldo Nogueira, professor de Economia do Ibmec, a economia brasileira não deverá crescer mais de 1,5% em 2012. “A Fazenda tem trabalhado com projeções irrealistas. O mercado nunca acreditou que o País pudesse crescer 4% em 2012 e agora já não há a menor expectativa de que economia decole no segundo semestre do ano”, afirma.

Na opinião de Nogueira, já ficou bastante claro que o País não enfrenta uma crise de demanda. “Ainda assim, o governo insiste em estimular a demanda, como se bastasse estimular os consumidores a comprarem um liquidificador novo ou a trocarem de carro para combater uma das piores crises econômicas mundiais. O que precisamos é cuidar da oferta”, diz o economista.

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