Antonio Silvera e Nuno Júdice na Fundação José Saramago

Data: Dia 25 de Setembro
Hora: 19h00
Local: Fundação José Saramago

A Casa da América Latina e a Fundação José Saramago celebraram um protocolo de cooperação cuja primeira iniciativa é o programa Leituras Internacionais em Lisboa, um ciclo literário e intercultural que pretende trazer a Lisboa autores ibero-americanos que vão “ler o mundo”, num espírito de partilha das obras, de ideias e do prazer da leitura. Os encontros, nos vários géneros – do conto à crónica, do romance à poesia -, terão sempre convidados portugueses.

Para as 19h00 do dia 25 de Setembro (terça-feira) está programado, na Fundação José Saramago, um debate com os poetas Antonio Silvera (Colômbia) e Nuno Júdice, como convidado.

A Casa da América Latina vai publicar poemas de ambos os autores a partir de hoje e ao longo das próximas semanas:

Principiae globalis
Que el legislador no siga ley alguna,
que el policía pastoree crímenes,
que el juez carezca de juicio,
que el presidente sea el último,
que el sacerdote sea un pecador impenitente,
que el maestro ande desorientado,
que el niño se emborrache,
que Dios descrea,
que no haya más que pobres diablos,
que la máquina sea madre,
que el aire desaire,
que el río regrese,
que el fuego se haga fatuo,
que el agua ensucie,
que haya más tigres en los circos que en Bengala,
que los viejos sean adolescentes,
que amamanten las niñas,
que la luna se venda al mejor postor,
que las torres se caigan,
que crezcan los enanos,
que los celulares superen a las células,
que los genes sean fines,
que harte el artista y se harte,
que todo cueste,
que nada cueste…

– Antonio Silvera

Quotidiano (Reflexão)
Por exemplo, as coisas que faltam neste lugar:
uma enxada para que as mãos não toquem na terra,
um ninho de pardais no canto da relha,
para que um ruído de asas se possa abrigar,
um pedaço de verde no monte que ainda vejo,
por detrás dos prédios que invadem tudo.

Mas se estas coisas estivessem aqui,
também faria falta um copo de água para ver,
através do vidro, um horizonte desfocado;
e ainda os restos de madeira com que,
no inverno, é costume atiçar o fogo
e a imaginação que ele consome.

Como se tudo estivesse no lugar,
pronto para ser usado na data prevista,
sento-me à janela, e fixo a única coisa
que não se move:
o gato, hipnotizado por um olhar
que só ele pressente.

– Nuno Júdice, in “Meditação sobre Ruínas”

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