Nelson e Nelsinho Rodrigues: A ditadura brasileira nunca os separou

[Alexandra Lucas Coelho entrevistou o filho de Nelson Rodrigues. Texto para o Público]

«Quando saiu de casa, Nelson falou ao filho: “”Estou com outra mulher, que está grávida.”” Chamava-se Lúcia, veio a ser mãe de Daniela, a filha de Nelson Rodrigues que nasceu cega. Viveram juntos sete anos.

“A saída do velho estava já acertada com a minha mãe, mas ela deu uma caída brava”, lembra Nelsinho. “Eram 23 anos de casamento. Eu diria que metade da obra do velho não teria acontecido, se ele não tivesse casado com a minha mãe. Porque ele escrevia, e escrevia, e escrevia. Embora estivesse sempre presente. A gente adorava ele. Todo o dia acordava 9h, 9h30. Minha mãe levava uma banana amassada para ele não fumar de barriga vazia. Depois descia, acabava de tomar o café e ia para o jornal. Nunca botou a mão num filho. Nem admitia peteleco assim…” Dá um piparote no ar. “Não admitia num filho e mais tarde não admitia num preso.”

[…] Mas Nelson Rodrigues não foi aquele moralista que louvava o casal para sempre? “O amor para sempre”, contrapõe Nelsinho. “E ele voltou para a minha mãe. Nos últimos quatro anos antes da morte dele [em 1980] ficou com ela, não sem antes namorá-la. Dizia: “Nada como ser amante da própria esposa.” Figuraça, o velho.” […] “O velho discutindo era sensacional. Deixava você falar tudo, aí falava uma frase desse tamanho [aproxima indicador e polegar] e acabava com você. E ainda matava você de rir. Aquelas metáforas ma-ra-vi-lhosas!” É um fã que fala. “Quanto mais a gente se afastava politicamente, mais se aproximava no amor. Eu tinha um respeito muito grande ao velho.”»


“A saída do velho estava já acertada com a minha mãe, mas ela deu uma caída brava”, lembra Nelsinho. “Eram 23 anos de casamento. Eu diria que metade da obra do velho não teria acontecido, se ele não tivesse casado com a minha mãe. Porque ele escrevia, e escrevia, e escrevia. Embora estivesse sempre presente. A gente adorava ele. Todo o dia acordava 9h, 9h30. Minha mãe levava uma banana amassada para ele não fumar de barriga vazia. Depois descia, acabava de tomar o café e ia para o jornal. Nunca botou a mão num filho. Nem admitia peteleco assim…” Dá um piparote no ar. “Não admitia num filho e mais tarde não admitia num preso.”»

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