Brasil investe em Portugal

[Opinião do Embaixador do Brasil em Portugal, Mário Vilalva, publicada pelo Diário Económico] A inauguração de duas fábricas da Embraer em Évora, no próximo mês de Setembro, representará um salto qualitativo no quadro dos investimentos brasileiros em Portugal.

Trata-se de investimento de alta tecnologia, gerador de centenas de empregos e com expressivo efeito multiplicador sobre a economia. E também investimento capaz de atrair novas empresas e ensejar a formação de um verdadeiro ‘cluster’ aeronáutico na capital alentejana. O exemplo da Embraer reafirma, portanto, a posição estratégica de Portugal para os interesses de longo prazo dos investidores brasileiros.

Mais do que a facilidade da língua, os capitais brasileiros vêm em Portugal um mercado atraente. Trata-se de um país com consumo sofisticado, profissionais qualificados, integrado no espaço ibérico e no mercado europeu, além de possuir boas ligações logísticas com as demais nações lusófonas. Para as empresas portuguesas, contar com investimentos brasileiros facilita a obtenção de financiamentos e de posições comerciais em um mercado de grande escala, além de favorecer negócios em outras economias sul-americanas.

As oportunidades de negócios em Portugal mostram-se, assim, atraentes para empresas brasileiras em processo de internacionalização. Exemplos são as parcerias da Petrobras com a Galp e a Partex para prospecção de petróleo na costa portuguesa, além da produção de biocombustíveis em Sines; a aquisição da Cimpor pela Camargo Corrêa, que fortalece os negócios de ambas no mercado brasileiro e torna mais rentáveis suas operações internacionais; a compra da Lusosider pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), com considerável aumento da produção de aços planos; e a aquisição da OGMA pela Embraer, em processo que acabou por conferir resultados positivos a uma tradicional empresa portuguesa.

As privatizações portuguesas também têm atraído a atenção de investidores brasileiros. Depois da participação de duas importantes empresas – a Eletrobras e a Cemig – no processo de venda de 21,3% da EDP, considera-se mais de uma possibilidade para a aquisição da TAP, inclusive de capitais fora do âmbito do transporte aéreo. Também nesse setor é conhecido o interesse do grupo brasileiro CGR pela ANA. Na área da saúde, o grupo AMIL já foi pré-qualificado para os Hospitais da Caixa Geral de Depósitos. Por outro lado, a Andrade Gutierrez está cogitando participar da concorrência pelas Águas de Portugal, enquanto a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) já manifestou seu interesse pela CTT. Por fim, os Estaleiros Navais de Viana do Castelo permanecem no foco de algumas empresas, à luz demanda brasileira por mais de duas centenas de navios mercantes, militares e petroleiros.

A confirmarem-se tais possibilidades, os investimentos brasileiros em Portugal, hoje estimado em três bilhões de euros, deverão aumentar significativamente. Encontrarão neste país um ambiente de negócios já bastante facilitado pela presença de empresas como Banco do Brasil, Banco Itaú e Banco Rural; TV Globo e TV Record; Odebrecht, Andrade Gutierrez e WEG Motores; o Boticário, H.Stern e Totvs, entre tantas outras que foram capazes de transformar o enorme capital político e cultural de nossa relações em negócios tangíveis, mutuamente vantajosos, geradores de riqueza e de empregos nas nossas economias.

Investimento directo de Portugal no Brasil cresce para 300 milhões

O investimento directo de Portugal no Brasil alcançou 300 milhões de euros no primeiro semestre do ano.

O investimento directo de Portugal no Brasil alcançou 362 milhões de dólares (300 milhões de euros) no primeiro semestre do ano, 67% mais que no mesmo período de 2011, divulgou hoje o Banco Central brasileiro.

Já os investimentos directos brasileiros em Portugal caíram 14%, passando de 72 milhões de dólares (60 milhões de euros) no primeiro semestre de 2011 para 63 milhões de dólares (52 milhões de euros) nos primeiros seis meses deste ano.

O total do investimento externo directo no Brasil no sector produtivo foi de 29,7 mil milhões de dólares (24,6 mil milhões de euros) no semestre.

Os dados divulgados hoje pelo Banco Central brasileiro também apontam para uma queda de 9,6% nos gastos dos brasileiros no exterior em junho, influenciados pela alta do dólar.

Em junho deste ano, os brasileiros gastaram 1,68 mil milhão de dólares (1,39 mil milhões de euros), contra 1,86 mil milhões de dólares (1,54 mil milhões de euros) registados em igual mês do ano passado.

Quando considerado todo o primeiro semestre, os gastos brasileiros apresentam um crescimento de 4,9% face ao período homólogo de 2011, chegando a 10,7 mil milhões de dólares (8,8 mil milhões de euros).

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