Programação do Ano de Portugal no Brasil nas mãos de privados devido à crise

[Notícia do Público] A crise económica foi “decisiva” para que toda a programação do Ano de Portugal no Brasil esteja nas mãos da iniciativa privada, reconheceu ontem ao PÚBLICO o comissário Miguel Horta e Costa, depois de uma apresentação solene no Rio de Janeiro, sob os lustres do Palácio de São Clemente, sede do consulado português.

Todo o projecto será pago por diferentes patrocinadores, sem dinheiro do estado. “Não há propriamente um orçamento, porque a metedologia utilizada é com base em patrocínios, portanto há vários orçamentos para vários patrocinadores”, disse Horta e Costa, quando questionado sobre a verba prevista. “Obviamente o estado português teria dificuldade em ter orçamento para isto. Mas tenho grandes empresas com interesses no Brasil a contribuir para abrir o Brasil às PME’s [Pequenas e Médias Empresas].”

Antes do comissário português, o brasileiro Antonio Grassi divulgara a forte programação do Ano do Brasil em Portugal. E após os discursos a impressão geral parecia ser que a parte portuguesa será mais dominada pela economia, enquanto que a brasileira é marcadamente cultural. “Prefiro dizer que a nossa programação é diversificada, com cultura, economia, ciência, educação, tecnologia, desporto”, ressalvou Horta e Costa ao PÚBLICO. “O grande objectivo é surpreender o Brasil, e por isso vou trazer as grandes empresas da inovação em Portugal.”

A apresentação começou com um “cocktail” durante o qual o cônsul-geral Nuno de Mello Bello, residente oficial do palácio, fez as vezes de anfitrião, recebendo os dois comissários e a ministra brasileira da Cultura, Ana de Holanda, para além de representantes do ministério das Relações Exteriores e dos governos do estado e da prefeitura do Rio de Janeiro, além de representantes de instituições brasileiros.

A protagonista cultural da manhã, com direito a dois aplausos de pé, foi a actriz Bibi Ferreira, 90 anos, que chegou de óculos escuros, junto a Ana de Holanda. A actriz Marília Pêra, o realizador Luiz Carlos Barreto, a cantora Elba Ramalho ou o curador do Museu de Arte Moderna do Rio, Luiz Camillo Osório, eram outros artistas/programadores presentes, mas o ambiente institucional predominava.

Programa em aberto

Tal como já fora noticiado em Lisboa, o Ano de Portugal no Brasil e o Ano do Brasil em Portugal começam a 7 de Setembro, dia nacional brasileiro, e terminam a 10 de Junho, dia nacional português. Dez meses de actividades que ainda não estão fechadas: ambos os comissários reforçaram ontem a ideia de que continuam abertos a propostas, nomeadamente através do site e das redes sociais.

“A programação ainda tem muito a ser complementada”, sublinhou o desenvolto Grassi, primeiro a falar, antes de arrancar o video com os pontos fortes já agendados. Um dos lugares centrais será o Espaço Brasil, centro cultural a montar num dos armazéns da LX Factory, mas a agenda brasileira vai estender-se a Porto, Guimarães, Sintra, Coimbra e Faro, além de Lisboa.

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