EIP reforça expansão com contrato de 148 milhões na Venezuela

[Notícia do Diário Económico] O projecto envolve a construção de 100 quilómetros de linhas de alta tensão de electricidade.

A Electricidade Industrial Portuguesa (EIP) deu mais um passo decisivo na estratégia de internacionalização, ao assegurar um contrato de 182 milhões de euros (147,8 milhões de euros) na Venezuela.

Este projecto, que envolve a construção de 100 quilómetros de linhas de transporte de electricidade e duas subestações, num prazo de 20 meses e em regime chave-na-mão, remata 18 meses de negociações, como confirmou o presidente da empresa, José Horta Osório, ao Diário Económico.

Este não é, porém, o primeiro trabalho que a empresa tem na Venezuela, onde conta com uma equipa de 450 trabalhadores, alocados a vários projectos de desenvolvimento da rede primária de transporte de electricidade, uma área onde a Venezuela apresenta ainda muitas fragilidades. “Estamos a reabilitar uma zona junto à fronteira com a Colômbia, uma obra no valor de 30 milhões de dólares (24,3 milhões de euros), refere o gestor.

A EIP estreou-se no mercado venezuelano, em 2008, ao abrigo do convénio celebrado entre o presidente Hugo Chávez e o ex-primeiro ministro português, José Sócrates, tendo facturado, até hoje, cerca de 130 milhões de dólares na região. Um valor a que somam agora mais 182 milhões de dólares. Para o desfecho deste último negócio contribuiu também, de acordo com José Horta Osório, a intervenção do Ministério dos Negócios Estrangeiros, tutelado por Paulo Portas.

Novos alvos internacionais

Líder nacional na construção de instalações fixas de transmissão eléctrica em muito alta tensão, a EIP está presente em quatro continentes e 12 países, os quais representam hoje cerca de 75% do seu volume de facturação. A empresa fechou o último exercício com receitas na ordem dos 150 milhões de euros.

Na sua carteira de trabalhos constam geografias como a Espanha, França, Itália, Argélia, Colômbia, Angola, Moçambique, Venezuela, EUA e Arábia Saudita. “O processo de diversificação internacional tem sido intenso, com uma média de dois novos mercados por ano. Em 2012, as prioridades vão incidir na Polónia e na Colômbia”, refere José Horta Osório.

Para facilitar a entrada na Polónia, o grupo EIP acaba de celebrar uma joint-venture com a Mota-Engil, empresa portuguesa com larga experiência nesta região do Leste europeu. O capital da sociedade que irá explorar este mercado será repartido em partes iguais, cabendo à EIP eventuais trabalhos relativos a linhas de transporte de energia e ao grupo construtor o negócio das auto-estradas.

Quanto ao interesse pela Colômbia, este deve-se à proximidade da Venezuela, explica o presidente da EIP, tendo já apresentado propostas para vários concursos. Em Portugal, a empresa liderada por José Horta Osório é um dos maiores fornecedores da REN-Redes Energéticas Nacionais, a gestora das infraestruturas de energia em Portugal, recentemente privatizada.

EMPRESA-CHAVE
EIP
A Electricidade Industrial Portuguesa (EIP) é a maior empresa nacional no sector de construção de instalações fixas de transmissão eléctrica em diferentes níveis de tensão. Liderada por José Horta Osório, está presente em 12 países que já representam 75% do seu volume de negócios, o qual chegou a 150 milhões de euros no último ano.

MAIS UM PASSO NA LIBERALIZAÇÃO DO SECTO ELÉCTRICO
O Governo aprovou ontem dois diplomas que visam concluir o processo de liberalização do sector eléctrico e que transpõem uma série de directivas comunitárias relativas ao Terceiro Pacote Energético. Uma das alterações legislativas passa por assegurar o fornecimento de electricidade a consumidores de áreas que não disponham de ofertas dos fornecedores do mercado liberalizado. O Governo intervém ainda na classificação da produção de electricidade, ao incluir na Produção em Regime Especial (que envolve um conjunto de fontes com tarifas garantidas de venda à rede, como as renováveis e a cogeração) a produção a partir de recursos endógenos que seja vendida em regime de mercado.

ÁREAS DE NEGÓCIO
Energia
É a principal actividade da EIP. Envolve a concepção, fornecimento de materiais, construção e conservação de linhas eléctricas de muito alta tensão, mas também de alta tensão, média tensão e baixa tensão. Nos últimos anos, os proveitos anuais desta área em Portugal têm ultrapassado 40 milhões de euros e representam mais de 80% dos proveitos totais da empresa.

Ferrovias
Este negócio arrancou em 1988 com a formação do consórcio SCLE – E.I.R Desde então, foram executados mais de 700 quilómetros de electrificações (catenária) na rede ferroviária nacional. Em 2000, iniciou a internacionalização com a construção de linhas de TGV, em França. Em 2005, entra em Espanha, com uma empresa do grupo INEO, a Crespo y Blasco.
Aguas
Com a aquisição da Sofomil pela EIR em 2007, e posterior fusão das duas empresas, nasceu a Hidro Sofomil, responsável pela coordenação global de contratos de concepção, projecto, fabrico, montagem ensaio e outras tarefas envolvendo equipamentos hidromecânicos e electromecânicos para aproveitamentos de recursos hídricos e tratamento de águas.

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